sexta-feira, 25 de maio de 2012

O valor da classificação

Rafael Del Giudice Noronha
       
       Foi com muito sofrimento que o Corinthians conseguiu vencer o Vasco. Peço desculpas pela demora na postagem, mas hoje, vamos falar um pouco da partida, da sua repercussão e do significado daquela vitória que levou o Timão às semifinais da Libertadores da América.
       O jogo foi típico de Libertadores. Truncado. Tenso e as emoções eram muito mais pelo que a partida significava do que pelos lances. Poucas oportunidades, erros de passe, encontrões. É, não foi um futebol bonito. Não fosse a cabeçada do Paulinho no primeiro tempo, quando Fernando Prass fez uma bela defesa, o primeiro tempo teria terminado com as cobranças de falta de Juninho Pernambucano, que não foram eficazes como de costume e com um único lance de ataque do Corinthians, depois de uma cobrança de lateral tosca – como todos os laterais batidos pelo Coringão – a bola sobrou para Emerson dentro da área que finalizou pra fora. Restavam então mais 45 minutos, talvez, os pênaltis.
       O Corinthians veio com tudo. Se lançou ao ataque nos primeiros vinte minutos do segundo tempo. E quase pagou caro no lance em que o lateral Alessandro chutou a bola em Diego Souza e o jogador vascaíno percorreu metade do campo sozinho com a bola, mas se apequenou diante de Cássio, que pode ter feito ali uma das maiores defesas de sua vida. O goleiro, no entanto, teve algumas falhas infantis para um jogador da sua categoria.
       E como diria o outro, quem não faz toma. O Corinthians não desiste da partida, joga até o último minuto. Assim, aos 42 minutos do último tempo das quartas de finais, Paulinho subiu ao melhor estilo centroavante e decretou a vitória que classificou o Timão para a semifinal. Mais de 36 mil pessoas estiveram presentes ao Pacaembu, que teve nas arquibancadas Dentinho, William e Bruno César, ex-jogadores da história recente do time de Parque São Jorge.
       Por falar em arquibancadas, Tite juntou-se ao bando de loucos depois da expulsão. Sempre pensei que ele não era meio certo da cabeça, o fato, comprovou a tese. Do alambrado, como um típico torcedor corinthiano, passou instruções para a equipe, sofreu como o trabalhador que pega seu suado dinheiro e sem nem pensar, usa para ver a equipe em campo. Fato inédito, marcante.
       Ao final do jogo, o chavão se apresentou para a imprensa “o Corinthians iguala a melhor campanha de sua história e segue o sonho da Libertadores.” Chavão para imprensa, piada (INVEJA) para outras torcidas.
Não entendo a razão de tanta preocupação com a classificação corinthiana. Dizem e gritam alto “MEU TIME GANHOU UMA, DUAS OU TRÊS LIBERTADORES. FOGOS POR UMA SEMIFINAL?” Respondo. Sim, fogos por uma semifinal. E o dia que me explicarem como uma torcida cresce numa seca de 23 anos de títulos, venho discutir essa questão tão complicada para uns, tão revoltante para outros e tão simples para nós: amor ao clube em todas as horas, boas ou ruins, sem a necessidade de uma fase positiva para atingir um crescimento considerável no número de torcedores.
Por isso, querido torcedor invejoso, não zombe da alegria corinthiana, porque se com a tristeza nos 23 anos sem título a Fiel aumentou, imagina do que somos capazes em vitórias, mesmo que pequenas e mesmo que “insignificantes”, para vocês.
Para nós essa vitória significa muito. Assim como qualquer vitória. Num dos primeiros posts neste blog eu disse e repito: vencer nunca é demais. Está na hora de saborearmos o título da América, que São Jorge nos abençoe. E que nós, corinthianos, continuemos comemorando nossas vitórias, com a nossa torcida, com o nosso time, sem precisar se preocupar com o que está de fora.
É isso. Estamos na semifinal. Secamos (é claro) o Santos para não enfrentarmos um dos melhores times da atualidade, mas, Muricy, Neymar e companhia são competentes e novos embates certamente emocionantes serão vistos por todas as torcidas, inclusive aquelas muitas e tão grandes de times tão fortes que, claro, estão de fora. Acompanhem hein, Fox Sports e Globo, não se esqueçam!

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