sexta-feira, 25 de maio de 2012

Um orgulho que eu posso ter

Even Vendramini

       Parecia jogo do Corinthians. Sofrido, emocionante, difícil, sufocante, ao mesmo tempo esperançoso. Diria até que estivéssemos à espera de algo milagroso. Não sabia se continuava ali, assistindo, ou se saía de perto e esperava pelo resultado longe de qualquer meio de comunicação. O fato é que sempre existe uma luz no fim do túnel, e por ela existir, o sonho do tetra ainda está vivo.
       Sobre o jogo tenho a dizer que foi difícil. A defesa do Vélez mandou bem, o ataque do Santos não conseguia chegar até o gol, e quando conseguia, errava. Parecia que não era dia, mais uma vez. Mas aos 32’ do segundo tempo, quando eu já estava preparada para aguentar as brincadeirinhas dos corintianos, Alan Kardec, titular indiscutível, fez o gol que seria a salvação momentânea da partida. Isso levaria aos pênaltis. E vou confessar, não sou muito fã deles.
       Não sei, mas nos últimos tempos comecei a desacreditar na capacidade do nosso goleiro. Nada pessoal. Era só receio de ver as burradas cometidas por ele se repetirem, e se isso acontecesse neste jogo, seria péssimo. Eu tentava negar em minha própria mente que os pênaltis realmente fossem necessários, mas nada disso ia resolver. O caminho já estava apontado. Eles aconteceriam. E para minha alegria, tudo correu bem. Elano mandou a zica embora, Alan Kardec fez o seu segundo, Ganso também anotou o seu, e Léo, o lateral mais querido da Baixada Santista, fechou a noite de pênaltis. Inclusive preciso dizer que esse último jogador tem meu respeito. Jogou pouco menos de 20 minutos, entrou em campo determinado a levar pro jogo o que faltava no time, deu um passe que resultou no gol do Kardec e converteu o pênalti que deu a classificação ao Santos. Não se fazem mais laterais com a disposição desse “velhinho”.
       O que aconteceu ontem precisa (e vai) ficar marcado na memória de todos os santistas. Os que viram, os que não viram, os que ainda vão ver, seja lá qual for o tipo de santista. Isso precisa ser lembrado. Como disse meu amigo Rafael sobre seu Corinthians, eu digo que para o Santos também era o jogo mais importante do ano. Isso porque se tudo se acabasse ali haveria frustração, desanimo, um sonho despedaçado. Nós queríamos o tri e conseguimos. Nós queremos o tetra e estamos buscando.
       Claro que daqui pra frente a competição se afunila e vai tomando um ar de decisão a cada nova partida. Mas é assim que tem de ser encarados todos os jogos. O Santos precisa de mais raça, de mais vontade, de mais “coração na ponta da chuteira”.
       Um adversário brasileiro na próxima fase, um time complicado, um desafio e tanto. Mas aqui é Santos, e se tudo correr bem, provavelmente estaremos na final. Que venha o Corinthians! Que venha o tetra! Que venha mais um título no centenário!

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